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Sistema Solar5 min

Três furacões giram ao mesmo tempo no Pacífico — e isso não acontecia desde 2015

Karina, Lowell e Marie estão ativos ao mesmo tempo no Pacífico. Entenda por que esse cenário é raro, como o El Niño favoreceu sua formação e qual deles merece maior atenção.

Uma impressionante vista aérea da Terra com um imenso furacão em espiral, destacando a beleza meteorológica.
Imagem: Pixabay · Pexels · Licença Pexels
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RESUMO EM 1 MINUTO

A ideia essencial antes do aprofundamento

Três furacões estão ativos simultaneamente no Pacífico: Karina, Lowell e Marie. Na atualização oficial consultada em 4 de setembro, Lowell era um grande furacão de categoria 3, com ventos sustentados de cerca de 205 km/h, enquanto Karina e Marie registravam aproximadamente 155 km/h, equivalentes à categoria 2. Lowell chegou à categoria 5 em 2 de setembro.

A última vez que três furacões coexistiram nos setores leste e central do Pacífico foi em 2015. O forte El Niño e as águas muito quentes ajudam a criar um ambiente favorável a ciclones intensos, mas não significam que todos tenham a mesma trajetória ou representem a mesma ameaça.

Karina permanece distante de terra, Marie gera ondas perigosas em partes do México e da Califórnia, enquanto Lowell é o sistema que exige maior atenção no Havaí.


APROFUNDAMENTO

Como chegamos a essa resposta

Três furacões no mesmo oceano

O Pacífico apresenta neste início de setembro uma imagem incomum: Karina, Lowell e Marie giram simultaneamente como furacões, distribuídos por milhares de quilômetros entre o Pacífico oriental e central.

Não significa que os três tenham a mesma força — nem que estejam seguindo para o mesmo lugar.

Na atualização do National Hurricane Center consultada em 4 de setembro, Karina apresentava ventos sustentados próximos de 155 km/h, Marie também estava em aproximadamente 155 km/h e Lowell alcançava cerca de 205 km/h.

Pela escala Saffir-Simpson, Karina e Marie correspondiam à categoria 2, enquanto Lowell estava na categoria 3.

As categorias, porém, são apenas um retrato daquele momento. Furacões podem ganhar ou perder força em poucas horas.

Lowell chegou à categoria 5

O caso mais impressionante é Lowell.

Em 2 de setembro, o sistema alcançou força de categoria 5, a classe máxima da escala Saffir-Simpson. A NASA relata que Lowell permaneceu nessa intensidade por várias horas antes de enfraquecer.

Isso significa que, em seu auge, seus ventos sustentados ultrapassaram o limite necessário para um furacão categoria 5.

Karina também chegou à categoria 4 anteriormente, enquanto Marie se intensificou mais tarde e completou o trio de furacões simultâneos.

A imagem capturada pelo instrumento EPIC, a bordo do satélite DSCOVR, mostrou os três sistemas espalhados pelo Pacífico praticamente ao mesmo tempo — uma visão extraordinária da escala dos fenômenos atmosféricos terrestres.

Por que três furacões apareceram juntos?

Furacões precisam de uma combinação de ingredientes: oceano quente, bastante umidade, atmosfera instável e pouco cisalhamento vertical do vento.

O Pacífico de 2026 apresenta ainda outro ingrediente importante: um El Niño forte.

Durante o El Niño, grandes regiões do Pacífico tropical ficam mais quentes que o normal. Essa energia adicional na superfície do oceano pode favorecer o desenvolvimento e a intensificação de ciclones tropicais no Pacífico oriental e central.

Pense no oceano como o combustível de um motor térmico. Um mar quente não cria automaticamente um furacão, assim como gasolina no tanque não liga sozinha um motor. Mas, quando os outros componentes atmosféricos se encaixam, existe mais energia disponível para alimentar a tempestade.

Por isso, dizer simplesmente que “o El Niño criou os três furacões” seria exagerado. Ele faz parte do ambiente que favorece sua formação e intensidade, mas cada sistema depende de condições atmosféricas próprias.

A NASA também destaca que o El Niño tende a favorecer ciclones no Pacífico enquanto pode aumentar condições desfavoráveis, como o cisalhamento do vento, no Atlântico.

Isso é realmente raro?

Sim.

A presença simultânea de três furacões no Pacífico oriental e central não era registrada desde 2015, quando Kilo, Ignacio e Jimena estiveram ativos simultaneamente.

Isso não significa que três tempestades tropicais nunca apareçam juntas. O ponto incomum aqui é termos três sistemas simultaneamente classificados como furacões.

É uma coincidência meteorológica possível, mas suficientemente rara para produzir uma das imagens mais marcantes da temporada de 2026.

Eles podem se juntar e formar um “mega-furacão”?

Essa interpretação é tentadora quando vemos os três sistemas na mesma imagem de satélite, mas não descreve o que está acontecendo.

Karina, Lowell e Marie possuem centros independentes e estão separados por enormes distâncias.

Ciclones tropicais relativamente próximos podem, em determinadas condições, interagir gravitacionalmente e circular um ao redor do outro — comportamento conhecido como efeito Fujiwhara.

Mas não existe indicação de que esses três furacões formarão uma única tempestade gigantesca.

A imagem de satélite comprime uma área colossal do planeta e pode produzir a impressão de proximidade. Na realidade, estamos olhando para uma faixa do Pacífico que mede milhares de quilômetros.

Qual deles preocupa mais?

Neste momento, Lowell merece atenção especial por sua posição em relação ao Havaí.

O Central Pacific Hurricane Center orientou moradores e autoridades das ilhas havaianas a acompanhar sua evolução. Isso não significa que um impacto direto esteja confirmado: pequenas mudanças de trajetória ao longo dos próximos dias podem alterar significativamente os efeitos sentidos nas ilhas.

Marie, por outro lado, permanece distante da costa, mas já produz outro tipo de risco.

Ondulações geradas pelo furacão devem atingir áreas do sudoeste do México, da península da Baja California e do sul da Califórnia, criando ondas fortes e correntes de retorno potencialmente perigosas.

Karina também continua sobre o oceano e tende a perder intensidade gradualmente.

E ainda pode surgir outro sistema

Existe mais um detalhe interessante.

O NHC acompanha a possibilidade de formação de uma nova área de baixa pressão bem distante da costa sudoeste do México durante os próximos dias.

Na perspectiva publicada em 4 de setembro, a probabilidade de desenvolvimento nas próximas 48 horas era próxima de zero, mas chegava a aproximadamente 50% em sete dias para a formação de uma depressão tropical.

Isso não significa que um quarto furacão esteja confirmado. Significa apenas que a atmosfera continuará sendo monitorada porque pode produzir outro ciclone tropical.

O que observar agora

A fotografia atual é impressionante, mas previsões de ciclones tropicais precisam ser acompanhadas como um filme, não como uma fotografia.

Intensidade, velocidade e trajetória podem mudar.

O fato principal permanece: três furacões estão simultaneamente ativos no Pacífico, algo que não acontecia desde 2015, em meio a condições oceânicas fortemente influenciadas pelo El Niño.

E é justamente aí que o episódio fica cientificamente interessante: não estamos observando apenas três tempestades. Estamos vendo, em escala planetária, como oceano e atmosfera podem reorganizar enormes quantidades de energia.

LEITURA CRÍTICA

O que esta matéria sustenta — e onde termina a certeza

Este quadro separa evidência, limite e interpretação para que a conclusão possa ser conferida, não apenas aceita.

PERGUNTA CENTRALPor que três furacões estão ativos simultaneamente no Pacífico e o que esse episódio realmente permite concluir sobre o El Niño e os riscos para áreas habitadas?
O QUE SABEMOS

Karina, Lowell e Marie estão simultaneamente classificados como furacões. Lowell chegou à categoria 5 em 2 de setembro. O Pacífico tropical está sob forte influência do El Niño, condição que favorece águas mais quentes e maior atividade ciclônica no Pacífico oriental e central.

O QUE AINDA NÃO SABEMOS

A trajetória e a intensidade dos sistemas podem mudar nos próximos dias, principalmente no caso de Lowell próximo ao Havaí. Também não é correto atribuir cada furacão isoladamente apenas ao El Niño ou a uma única causa climática.

ERRO COMUM

Ver os três furacões na mesma imagem e imaginar que eles podem simplesmente se unir em um “mega-furacão”. Eles possuem circulações independentes e estão separados por enormes distâncias. A imagem de satélite reduz milhares de quilômetros a poucos centímetros na tela.

CONTA, COMPARAÇÃO OU ANALOGIA DO PORTAL

Imagine o Pacífico como um enorme tanque de combustível térmico. Águas muito quentes aumentam a energia disponível, mas não apertam sozinhas o botão de partida. Um furacão só se organiza quando temperatura, umidade, ventos e estrutura atmosférica se combinam. O El Niño prepara o terreno; ele não determina sozinho cada tempestade.

Como avaliamos as fontes

Posição, velocidade, pressão, intensidade e alertas foram conferidos prioritariamente nos boletins do National Hurricane Center e Central Pacific Hurricane Center, fontes meteorológicas primárias. Dados e imagens de satélite e o contexto sobre El Niño foram comparados com a NASA Earth Observatory e NOAA. Fontes jornalísticas foram usadas apenas como apoio para contexto histórico, nunca para substituir os boletins oficiais.

Como esta matéria foi preparada

Fernando Moreira seleciona a pergunta, confronta as fontes, organiza a explicação e assume a revisão final. Ferramentas de inteligência artificial podem apoiar pesquisa e rascunho, mas não substituem a conferência das afirmações nem a responsabilidade editorial.

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